sexta-feira, 28 de outubro de 2011

LIXÃO DA EMPREGO


Por Elanne Nunes

Email: nunezlanny@hotmail.com

Localizado a 20 km do centro de Barreiras às margens da BR 242, saída para Salvador, está o lixão de Barreiras, que produz 220 toneladas de lixo por dia. Catadores se arriscam em meio ao lixo hospitalar e doméstico, seringas e outros materiais são facilmente encontrados no local.

Sem luvas e sem as mínimas condições de trabalho, famílias sobrevivem do material que pode ser reciclado. As cenas causam indignação, mas é nesta situação que os trabalhadores são obrigados a se submeter para garantir o sustendo da família.

A Trabalhadora Elisabete Ferreira de Souza, 44, catadora no lixão, sobrevive com material reciclável. Ela recolhe materiais como garrafa pet, metal, alumínio etc. Segundo Elisabete, reciclando esse tipo de material durante 1 mês, dar para vender e obter uma renda consideravelmente boa, aproximadamente 1 salário mínimo.

São aproximadamente 60 pessoas catando lixo diariamente no Lixão. Quando o caminhão chega para descarregar o lixo, todos ficam ansiosos para recolher o 'melhor material', ao mesmo tempo os urubus vão atrás de alimento, é uma grande disputa no local. Segundo trabalhadores, eles já se acostumaram com os urubus. “ Agente nem os considera como animal, somos quase íntimos” Diz Elizabete.

Assim com Elisabete, vários trabalhadores precisam dormir e comer no local porque não tem transportes para retornar às suas residências, eles vão em casa de 15 em 15 dias. É lamentável a situação em que eles se encontram, contudo eles já se acostumaram. “ Agente acostuma, aqui agente come a hora que quer, dorme a hora que quer, não tem ninguém para está mandando nem humilhando, só que não é escolha nossa, não escolhemos estar aqui, a vida que nos colocou aqui”. Diz Elisabete.

Ela ainda ressalta que a única coisa que a faz estar naquele lugar, é a certeza de que não vai faltar o pão de cada dia para seus filhos.

Lamentável é saber que a vida de pessoas como Elisabete Ferreira poderia ser diferente, por outro lado, à alegria de saber que para essa mulher existe um meio de sustento. Mesmo que trabalhadores como Elisabete Ferreira lutam para ter o que comer, enfrentam desrespeitos, os mais diversos aos seus direitos, sejam por falta de carteira de trabalho assinada, pelo uso intensivo de agrotóxicos sem equipamentos de proteção, seja devido a transportes, alojamento e alimentação inadequadas, ou ainda pelo não pagamento de horas-extra, do fundo fixo de garantia por tempo de serviço (FGTS) e outras obrigações devidas, tudo isso faz de cidades como Barreiras crescer cada vez mais o índice da pobreza. Enquanto o agronegócio por exemplo se destaca entre monoculturas da soja e do algodão na região oeste, comemora-se índice de forte crescimento dos “grandes empresários”. Essa outra face da geração de riqueza é bem menos explícita, enfim, cada item uma história, cada desrespeito um episódio, cada problema um componente a mais de uma todo que revela situações precárias em que vive trabalhadores no lixão.

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